Trecho.

-Não! - Disse-me ele - Não irei permitir que se destrua desta forma!
-Chega, Carlos Henrique! - Berrei de volta - Diga-me, de quem é a vida. Hãn,Hãn?
-É tua. Mas com ela fica meu coração, não, Lúcia, não faça isso ! - Ele disse apertando suas mãos contra a parede do quarto. Eu havia lhe dito que desistiria da vida, que desistiria de tudo. Eu estava desistindo.
-Teu coração jamais me pertenceu! Se pertencesse eu teria uma razão a me prender e viver, mas não... Não há razão! Minha vida será eternamente um borrão! Cheguei sem razão e assim que vou partir.Vá, vá embora ! Não quero que presencie, pode ser ruim de se ver. Ou venha, pode ser memorável.
-Lúcia! Lúcia! Escute-me aqui, vamos, olhe para mim.Dei-me tua mão, deixe-me guia-la! Lúcia, meu coração é teu , minha vida é tua. O que sou é por ti, sem ti não há razões. Não, não vá! Não ... - Socou a parede duas vezes antes de ouvir Lúcia desligar o telefone.
Dirigiu atordoado até sua casa onde ninguém atendia, enquanto ela corria até a casa dele, onde ninguém abria a porta. Ela correu até ele e ele a alcançou. Choveu, se beijaram. Cena de perfeita sincronia, eles se salvaram. Salvaram um ao outro, deles mesmos.
                                                                                                                                                           

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