Primeiro capitulo ( Alice )

O meio de um tiroteio não devia ser um bom lugar pra se começar uma historia, mas é aqui que essa começa.Porque é no meio de um tiroteio, que eu conheci "ele".
 Eu havia acabado de sair da escola com aquele ar de "finalmente acabou" quando meu celular tocou.
-Alô?
-Filha?-reconheci a voz da minha mãe, Ana Clara, do outro lado- Ainda está na escola?
-Não, acabei de sair-eu disse passando pelo portão principal.
-Você pode ir até o mercado pra mim? Seus primos vem até aqui hoje, pensei em fazer alguma coisinha pra eles.
Eu pensei por um segundo, podia dizer que não... Quero  dizer, eram primos estranhos...
-Sim, sem problemas.-desliguei e fui em direção ao mercado. Minha mãe me disse o que comprar, e eu já sabia que colocaria no "nome" dela.
Virando a esquina, percebi barulhos altos. Nem pensei muito no que poderia ser, só continuei meu caminho, mas os estrondos ficavam mais intensos. Logo, vi carros pretos passando por mim rapidamente, daí percebi que estava próxima a um possível tiroteio. Me apressei e tentei alcançar o mercado, mas o dono fechou a porta antes que eu pudesse entrar. Fiquei parada na rua, e por um devaneio entendi que não estava próxima a um tiroteio, estava no meio de um. Minha única e primeira reação, foi procurar um lugar pra me esconder, e acho que na minha cabeça insana, ficar socada no pequeno espaço entre o mercado e uma casa, era seguro.
Bom, parece que não. Os tiros cessaram e eu saí depois de alguns minutos. Não sei dizer se foi ou não uma boa ideia. Fico confusa, porque assim que saí, um tiro me atingiu, mas também foi quando alguém me puxou, me livrando de uma explosão. Poxa, traficantes não deviam ter granadas !
Não me lembro de muita coisa depois disso. Era mais como um grande borrão na minha cabeça. Sentia meu estômago doendo como se eu estivesse sendo carrega no ombro de alguém. Estilo como as crianças são carregadas. E não, não é uma boa sençasão.
-Hey - Um borrão que estava na minha frente me chamou- Você está bem ?
-S...- Minha garganta ardia, não consegui terminar da falar.
-Toma, beba um pouco d'água.- Agora, eu podia ver que o "borrão" era um rapaz, que me entregou um copo de agua gelada que eu bebi como se não houvesse mais agua no mundo de tão desesperada.
Esqueci até de perguntar onde eu estava ou o que havia acontecido. 

                                                                                                                                        ( continua.... )

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