Caneta sem tinta, cafeteira vazia, mesa de centro com dois anéis de canecas manchados, televisão com um leve chiado que ao meu ver, seria extremamente irritante. Não importou no momento, mas deve importar agora. Está tudo guardado em só um lugar, e nunca mais voltará a acontecer. Ao menos não nesta vida. Ficou tudo na minha memória, onde realmente deveria estar. Estava sentado em um sofá e eu podia ver a rua da minha posição. Estava naquele momento que esqueci como chamam, onde é quase tarde, quase noite... Uma cena linda de se ver. Meus olhos quiseram chorar. Minhas mãos queriam tocar no céu e senti-lo. Eu virei uma criança. Ouvi baterem a porta mas algo não quis me deixar levantar. Não deve ser importante, pensei, posso aproveitar o espetáculo mais tempo. Se for importante virá novamente. Eu só não poderia me levantar naquele momento. Era noite de lua cheia, posso me recordar de que permaneci sentado durante horas observando aquela troca de cenários. Um mais perfeito que o outro. Assisti aviões subindo e descendo. Lembrei de como nesse tempo tudo era simples, puro e bonito. Eu era só, não haviam mascaras ao meu redor, porque não havia ninguém ao meu redor, e ainda me questiono se eu queria que houvessem hoje. Jamais me permitirei esquecer todas as pessoas que me fizeram bem, mas não sou tola para não lembrar das que me magoaram, também. Era uma linda época. A pureza me estimula.
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