-Dói, não é ?- Disse-me ela com firmeza. Apenas sorri, queria ser indiferente, a dor deixou de ser uma opção há muito.
-Dói se você ainda se preocupa. Se você ainda se importa... - Respondi com frieza, o ardor da minha voz assustava tanto a mim quanto a ela. Sorriu, olhou pra cima , segurou a lágrima. Eu mesma senti o nó na garganta se formando, as palavras que lutavam para sair e tomar conta do ambiente, as palavras que pareciam salvar seu interior; Boba.
-Eu não escolhi a dor, ela me escolheu- disse após alguns segundos em silencio, me senti sem resposta. Quem em sã consciência diria isto? A dor escolhe onde habitar, mas só os tolos a aceitam.
-Não seja boba... A expulse! Seu corpo, sua alma, sua casa , suas regras. Não a permita! Se libere! -Tentei demonstrar firmeza, mas por deslize lembrei de minha própria tristeza. Ela era uma convidada impertinente e eu era a boba que a deixei entrar.
-Onde errei, minha cara? Onde?- Suas lágrimas rolaram, eu me segurei como estava, nos meus afazeres. Pareciam me livrar de chorar junto.
-Onde? Quem há de saber?! O erro foi teu. Descubra-o e o tampe!- Disse com mais frieza.
-Mas.... - Travou. O que poderia dizer? "Mas eu tentei de tudo". Não tentou. "Mas eu lutei, não desisti". Desistiu quando chorou. "Mas eu nunca quis parar, eu queria me manter". Quis, se não quisesse estaria lutando, sonhando...
-O que houve? -Perguntou-me se aproximando. Limpei a lágrima rebelde que escorria , levantei a cabeça e sorri.
-A nostalgia as vezes dói... Dói , não é ?
J.K Barbosa

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